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Professor por profissão e idealismo. Discípulo de Jesus, um aprendente...

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O julgamento dos políticos do PT - de Dirceu a Genoíno

Em que consistiu realmente esse julgamento?
Em fatos e em provas encontradas?
Em hipóteses pré-estabelecidas?
Em comentários políticos?

Não se engane o Ministro, recém-empossado, o sr. Joaquim Barbosa, pois o que se orquestra no cenário onde hoje ele está é uma peça dantesca, que, quando menos ele esperar podem colocá-lo para representar, também, um personagem do Inferno de Dante, e não ter onde firmar suas mãos.
Ele, pela sua origem, como muitos, pode avaliar a origem e o destino de tantos quantos lutaram contra a ditadura, e, por isso mesmo, nossa tão farfalhada elite, com requintes, sabe fazer pirotecnias e, para tirar os olhos de sobre eles, dirigem os holofotes, dos quais sabem ter certo controle, para iluminar pontos pintados por essa imprensa pró-burguesa e burguesa dessa País, que um dia foi condenado a ser uma américa latrina, e, aos poucos, tem conseguido sua libertação, pela conscientização e renovação política, pela vontade do povo, manifestada nas urnas.
Só que nossa elite não aceitaria isso de mão-beijada, bem sabíamos...

E, para isso, conta com quem?
Com essa elite tradcional... e que agora se manifesta por meio de uma Corte, que se diz incontestável, infalível, nesse grande País...

Puxa.... e de onde vem esse poder todo? Não digo nem do poder da Corte Superior.... ou quase... digo, sim de um outro poder....

o da senhora IMPRENSA....esse 4º poder, estatelecido e estatuído, incontestavelmente e indevidamente nesse País do extinto pau-brasil (ou quase???)
                        ....que se acha para além das Cortes judiciais, judicantes e tudo mais...

A imprensa é inerrante? Até quando? E desde quando?

Não concordo que a imprensa seja incontestável em suas declarações... Pode até e deve ser livre, sim... mas deveria também, ser acrescido um item legal, um dispositivo, que dissesse que a Imprensa, além de ser livre, deveria ser também responsável, ter caráter social, e ser questionada...

Ah, vão me dizer, ela tem o Conselho da Imprensa...

Sim?... diria eu, e que é constituído por membros da imprensa, uma espécie de Corregedoria de si própria, e que aceita tudo o que se diz contra alguém, ainda que esse alguém seja destruído, como foi o caso de Ibsen Pinheiro, no passado, e também da suspeita de pedofilia, levantada contra aquele professor e diretor, um sr. de origem japonesa, de São Paulo, que, por essa razão, teve seu casamento destruído, sua escola faliu, e sua vida ruiu...

Agora, fazem ruir a vida de políticos com Genoíno e de Dirceu....
Não digo que não pudessem ou que teriam até errado em algo... 

Mas, em quê?

A Corte hoje apresenta, a meu ver, um julgamento e veridicto, baseado em relatos vagos e vazios da imprensa, sem um suporte concreto, baseado em afirmações iniciais de réus, como o sr. Roberto Jefferson, e outros de mesmo calibre....

Até quando seremos vítimas dessas acusações nefastas, e cidadãos normais e comuns, sem presas ao passado e a sangue azulado-europeu, não poderão fazer parte dignamente desse país, sem ser achicalhados e condenados por essa eflúvia e evanescente teoria do direito - do passado - ou mesmo do direito consuetudinário, quase, pois baseia-se em apenas manter o status quo de quem, parcialmente, deveria manter seu estabelecimento "ab ovo", sem perder essa sua propriedade?

A onda de acusacionismo que invadiu esse País parece não satisfazer sua indiganação e sua saciedade de ver concorrentes fora do páreo.
E, infelizmente, parece que aqueles que poderiam, pela sua história, perceber esse viés histórico, ainda que em situações e status privilegiados de manifestação de julgamento contextual, não estão percebendo a grande arena, para onde pretendem convergir todos os gladiadores, dentro de algum tempo, caso o povo também não percebesse e embarcasse nessas teorias do atual estado (de coisas) moderno...

E, para ser solidário com Genoíno e sua filha, nesse momento, posto aqui as frase dessa filha, que conhece bem o pai e sofre essas acusações pesadas em hipóteses de contexto histórico:




Meu nome é Miruna Kayano Genoino e sou filha de José Genoino Neto. Como parece ser raro encontrar jornalistas em que se pode confiar, decidi apostar neste e-mail que não sei se é correto, porque parece que você tem sido capaz de trazer outro olhar ao que vem acontecendo em nosso país.

Se puder, gostaria que lesse o texto que é o desabafo não só meu, mas de toda nossa família.

Um abraço,

Miruna
Veja os links - carta da filha de José Genoíno:

Em tempo: ao se demitir de cargo que ocupava no Ministério da Defesa, José Genoino leu a seguinte nota:
Adianto, aqui, as imagens dessa carta e de alguns texto afetos ao contexto:








quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Texto Artistas e intelectuais lembram 1989

Reproduzo reportagem de Gilberto Maringoni, publicada no sítio Carta Maior:

Chico Buarque avisou que não falaria. Brincava: viera como papagaio de pirata ao ato de apoio de artistas e intelectuais à candidatura de Dilma Rousseff, no teatro Casa Grande, Rio de Janeiro, na noite de segunda (18). Mas acabou caindo em uma provocação de Leonardo Boff e fez um brevíssimo discurso, que já está em todos os sáites, blogues e tuíteres pela rede:

“Venho aqui reiterar meu apoio entusiasmado à campanha da Dilma, essa mulher de fibra, que já passou por tudo, não tem medo de nada. Vai herdar o senso de justiça social, um marco do governo Lula, um governo que não corteja os poderosos de sempre, não despreza os sem-terra, os professores e os garis”.


Emendou com um parágrafo: “A forma de Lula governar é diferente. O Brasil que queremos não fala fino com Washington e nem grosso com Bolívia e Paraguai. Por isso, é ouvido e respeitado no mundo todo”.

E brincou: “Nunca antes na História desse país houve algo assim".

Aplausos, risos e charangas.

“É Dilma, é Dilma sim/ porque eu não penso só em mim!”

Final de campeonato

O clima era de final de campeonato, com bandeiras e agitação, como há muito as campanhas não exibiam.

É provável que um palco tão amplo e representativo do mundo da cultura no Brasil só tenha paralelo com a rede de apoiadores da campanha Lula de 1989. Quase duas mil pessoas lotaram platéia, corredores, mezaninos, hall de entrada e a calçada da casa de espetáculos, enquanto uma chuva intermitente desabava sobre a cidade. No palco, entre outros, estavam Oscar Niemeyer, Chico Buarque, Rosemary, Alcione, Ziraldo, Fernando Morais, Elba Ramalho, Renato Borgehetti, Yamandu Costa, Hugo Carvana, Leci Brandão, Alceu Valença, Paulo Betti, Marco Aurélio Garcia, Chico César, João Pedro Stédile, Antonio Grassi, Sergio Mamberti e muitos outros.

O sociólogo Emir Sader, um dos organizadores, sintetizou: “Este é um ato daqueles que votaram e apoiaram diferentes candidatos no primeiro turno e que se reúnem para defender conquistas. O outro lado representa o caminho do obscurantismo”.


Para a professora de Filosofia Marilena Chauí, aquela era uma sagração da democracia. Do alto da tribuna, puxou da bolsa o panfleto da campanha José Serra, no qual estava escrito “Jesus é a verdade e a fé”. Sem titubear, emendou: “Este folheto é obsceno; obsceno religiosa e politicamente. Ele ataca o núcleo da democracia republicana, que é o Estado laico”. Em meio a aplausos, finalizou: “A minha geração viu um negro na presidência da África do Sul, um índio na presidência da Bolívia, um negro presidente dos Estados Unidos, um operário dirigindo o Brasil e verá uma mulher presidir o nosso país”.

Motivações

Uma das grandes motivações do ato foi a ofensiva midiática fundamentalista que tomou conta da reta final da campanha eleitoral, aproveitando-se de erros e tropeços da candidatura Dilma. De uma disputa que aparentava ser um passeio para o governo, existe agora uma batalha voto a voto, que toma conta de setores de esquerda e mesmo daqueles que se desiludiram com a ação oficial e saíram em busca de uma terceira via no primeiro turno.

No Casa Grande, a convergência era o tom. Lia de Itamaracá levantou a platéia ao entoar “Essa ciranda quem me deu foi Lia, que mora na ilha de Itamaracá”. Não era um ato propriamente, era uma celebração.

Aproveitando o clima, Beth Carvalho parodiou o sucesso de Zeca Pagodinho, cantando: “Deixa a Dilma me levar/ Dilma leva eu, Dilma leva eu (...)/ Sou feliz e agradeço/ Por tudo o que você me fez”.

Leonardo Boff era talvez a expressão maior do caráter plural do ato. Apoiador de Marina Silva, ele optou por Dilma no segundo turno e pronunciou um emocionado discurso de 25 minutos. “Se com Lula, a esperança venceu o medo”, lembrou, “com Dilma, a verdade vai vencer a mentira”. Para Boff, esta eleição é mais do que o confronto entre dois candidatos, representa o confronto entre duas idéias de Brasil. “Se a oposição ganhar, teremos imensos retrocessos”. E com palavras duras, sintetizou o clima do país: “O que as classes dominantes não permitem é que um filho da pobreza, um peão como Lula, chegue à presidência. Gostariam que Lula ficasse na fábrica, produzindo para eles”.

Antes da fala de Dilma, foi lido o poema Os filhos da paixão, de Pedro Tierra, sob silêncio absoluto. Um de seus trechos diz:

“Queremos um país onde não se matem as crianças/ que escaparam do frio, da fome, da cola de sapateiro./ Onde os filhos da margem tenham direito à terra,/ ao trabalho, ao pão, ao canto, à dança,/ às histórias que povoam nossa imaginação, às raízes da nossa alegria”.

Dilma fala

O cenário estava pronto. Anunciada como futura Presidente da República Federativa do Brasil, Dilma falou por 37 minutos. Para quem a viu nervosa e tensa no dia anterior, no debate da Rede TV!, ali estava outra pessoa. À vontade, com a palavra fluindo fácil, a candidata percorreu temas complexos, como política energética, relações internacionais, alocação de recursos, papel do Estado, educação, cultura, saúde e outros com desenvoltura.

Começou falando: “Vejo aqui um pedaço de minha vida. As músicas de minha juventude, os livros que li em vários tempos. Vejo aqui muitos que lutaram em décadas antigas”. Lembrou dos anos iniciais de sua militância, da prisão e das opções feitas. “Comecei a sonhar nos anos 1960. Era um sonho de um Brasil que tinha de mudar, um Brasil que tinha de ser diferente. Sonhamos revoluções e aprendemos a perder. Quem perde adquire uma imensa capacidade de resistir. Eu me formei na vida política perdendo. Tenho muito orgulho de minhas derrotas. Foram derrotas de uma vida correta”.

A certa altura, voltou-se para temas concretos. Lembrou mais uma vez que o governo FHC queria mudar o nome da Petrobras para Petrobrax. Esmiuçou os modelos de exploração da riqueza subterrânea. “O governo passado preferiu um modelo conhecido como concessão. Quem encontrasse o óleo, era seu dono. Manter o modelo anterior significa privatizar o pré-sal!”

Ao mencionar a importância do desenvolvimento, recuperou uma idéia cara aos economistas heterodoxos: “Nós mudamos alguns tabus. O principal deles é de que o país não poderia crescer distribuindo renda. Hoje isso parece óbvio, mas nunca foi óbvio. Por trás desse tabu está uma visão mercantil do Brasil. Uma visão que incorpora uma parte da população nos benefícios da modernidade e pouco se importa com a outra parte”. Para ela, esta é a distinção entre sua candidatura e a dos adversários. “Não podemos aplicar no Brasil teorias de outros países que nem mesmo eles aplicam em casa”.

Ao desenhar o futuro do Brasil, Dilma afirmou: “Nós seremos uma nação desenvolvida. Mas não queremos ser os Estados Unidos da América do Sul, onde uma grande parte da população negra está na cadeia e uma parte da população branca pobre mora em trailers e não tem acesso às condições fundamentais de sobrevivência digna. Por isso nós somos hoje respeitados no mundo. E vamos ser mais, pois ninguém respeita um país que deixa parte de seu povo na miséria”.

No fim do ato, a chuva havia parado. Apesar do entusiasmo, todos ali sabem de uma coisa: ainda há ainda muita campanha pela frente até 31 de outubro.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Reflexão sobre eleições, Dilma ou Serra - e o posicionamento cristão e bíblico.

Particularmente, estou muito preocupado - e digo com muita sinceridade e temor, e, ainda respeito - com a onda tendencialista,de alguns pastores e líderes, que têm tomado posição nesse sentido, denunciando algumas "iniquidades", como se fosse possível, neste mundo separar o joio do trigo, sobre o que o próprio Jesus alertou que não seria possível. Se assim o fosse, poderíamos nos salvar aqui, e não precisaríamos de aguardar a segunda vinda de Cristo.
Outro senão, é que esse tipo de posicionamento redunda em posições de estreitamento racional, e não nos deixa ter uma mente transformada como é dito em Romanos 1.1 e 2.
Espero, sinceramente, que irmãos tratem irmãos como irmãos, e entendam que o fato de alguns tomarem decisões e posições diferenciadas das suas, nesse mundo presente, não vai, de forma alguma, diminuí-los, tornando-os anátemas, ou coisa assim.
Sinto-me muito decepcionado, pelo fato de que essas posições de pessoas de comportamento tenebroso como o foi na época de Collor, estejam voltando, com forma de piedade, e de profunda santidade, o que seria condenado de pronto pelo apóstolo Paulo, pela diversidade dos temas em suas Cartas, conforme se pode ver no texto abaixo.
Conclamaria a todos a pensar por si, e não simplesmente por áudios e vídeos difamadores, pretextando uma altíssima autoridade, quando a maior autoridade é a bíblica, vindo depois, a opinião e o aconselhamento pastoral, mas essa, de forma alguma isolada, como está ocorrendo atualmente.
Não tenho dúvida: toda opinião emitida por uma pessoa constituída de autoridade na igreja, vai soar de forma clara, como uma influência sem que o outro tenha, no mínimo, nesse caso, possibilidade de pensar por si, pois essa influência, pelo que já percebi, atua de maneira a não deixar espaço para reflexão.
Ora, isso nada mais é que um manipulação de ideias. E não posso concordar com esse tipo puro de direcionamento, de coisas que a Bíblia não nos autoriza a fazer, que é uma espécie de prognóstico, ou adivinhação, ou ainda uma "escatologia política" - ou algo muito próximo disso - e os três, com base bíblica, poderia dizer, são todos condenáveis por Deus.
Veja bem, circulou, a passos largos, pela internet, um boato (mentira) de que Dilma Roussef teria dito que "nem Cristo tiraria essa eleição dela" -lancei essa frase, tal como está, no Google, e, como resultado não achei nada dizendo que foi publicado pelo Jornal tal e tal... Não.... aliás, achei, sim, um link que me redirecionou para o YouTube, para um vídeo, mal feito, tentando tirar da boca da candidata, palavras que a incriminasse, também com legendas muito mal feitas, e que não diziam nada.
Enviaram-me um link de um blog católico, que tentava denunciar que a mesma candidata era a favor do aborto, colocando, ao lado da foto dela, uma criança que eles, os responsáveis pelo tal blog, esquartejaram para esse fim - desculpe o trocadilho, mas a foto foi toda manipulada mesmo, para se colocar um pedaço da criança em cada canto.
Estou triste, demasiadamente, por ver que os cristãos atuais não são como os de Bereia, que iam verificar se os fatos eram realmente assim...
Não sei se alguns vão ficar escandalizados com o que estou dizendo aqui, mas nos meus 34 anos de caminhada cristã, sempre abominei essa prática da necessidade de mentir e de inventar situações para convencer aos outros de que candidato A ou B tem parte com o diabo ou não....
Não estamos num mundo restaurado ou de arrebatados...
E acho, num certo sentido, não refletido o fato de dizerem alguns que não querem se compactuar com a iniquidade. Tudo bem - é até louvável. Mas tal postura não reflete a mesma sensibilidade pelo fato de que, por 500 anos, o Brasil tenha sido liderado pelos "grandes" e pelos políticos tradicionais com diplomas em Sorbonne, e tenham até hoje, submetido o País à continuidade da extrema pobreza, das doenças, da falta de hospitais, da falta de educação, e da falta de dignidade da pessoa humana, só para citar alguns aspectos - E isso também, não é iniquidade???
Como tais práticas poderiam ser classificadas, então???

Não conheço outra terminologia para categorizá-las...

Não há como fugir disso: toda posição no campo político direciona, inevitavelmente, o ouvinte ou o leitor para uma única posição. Até o que estou escrevendo define minha posição - somente que tenho que me esforçar em não forjar mentiras para manipular o outro, mas, ao mesmo tempo devo dizer - você procure ler, conhecer, debater mais - conheça as posições, as ideias, discuta com outros.. E isso não é o que palestrantes dos vídeos fazem. Você poderia argumentar – é.. mas estão falando da Bíblia. Eu digo: Não, não estão. Usaram um ou dois versículos como pretexto, fugiram do texto e nunca mais voltaram ao texto.... então, não é um estudo bíblico ou uma palavra que venha da parte de Deus.
Isso é uma ideologia partidária. Não consigo aceitar, me perdoem...

Ademais, vejam bem: já vivemos isso em períodos negros, de mentiras e perseguições políticas, seja em período da ditadura, seja em períodos de campanhas políticas, como já citei, a de 1989, que resultou no que já conhecemos da História.
Também essa prática de fazer terrorismo com questões que possam acontecer não tem base bíblica. Qualquer cristão, pastor líder, ou mesmo um cientista político, e que tenha um mínimo de esclarecimento, não vai aceitar essa prática como algo lícito - achar que um candidato é de Deus e o outro é do Diabo.
Já vai longe essa tendência - outra anomalia tupiniquim - de relacionar o governo atual com práticas socialistas, com Cuba, com a antiga Rússia - por favor, parem de menosprezar a inteligência, minha, dos demais irmãos, dos jovens e demais pessoas...
Estamos vivendo períodos de torpor, no sentido de criarem objetos de dissimulação da verdade - aí, sim, está uma prática que não vou aceitar de maneira nenhuma.
Meu voto não terá esse direcionamento, quero deixar claro, e esperar respeito, por não querer seguir pressões e patrulhamentos ideológicos, nem querer me submeter a tal tortura. Esta liberdade me é dada pela Palavra de Deus e pela Constituição Federal (artigo 5º e outros....)
Conclamo: Se receberem alguma coisa, leiam, pesquisem - o Google está aí para isso... Discutam com outros, conversem com várias pessoas. É assim que se forma opiniões.
Desculpem, outra questão, a que têm se referido muito, é a de fazerem referência a que, no governo atual, tem se buscado restringir a liberdade de imprensa.
Também não é verdade. A verdade é outra: é que não se deve acreditar tanto na imprensa como se acredita. Lembram-se, que no final do governo de FHC, a revista Veja estampava a moeda de 1 Real, sempre remendada... e agora, quer fazer acreditar que a política anterior é que era boa, sempre fazendo essas comparações? Veja está sendo, no mínimo, incoerente...
Bem, temos à frente dois candidatos. o certo, entendo, não é que algum pastor ou líder faça um "estudo" e dê todas as características daquele em que ele, por certo não votaria, e dizer simplesmente algo assim: "é muito perigoso", mas você vote no seu candidato, no que achar melhor...
Eu diria: Olhe, há, no mínimo, duas tendências, uma que entende que se deve fazer mais pelo social, com assistência social, e chama isso de distribuição de rendas; a outra, acredita na tese do chamado Estado mínimo, e é a favor de algumas privatizações, e de investir o mínimo do Estado para políticas públicas, ou, pelo menos, de forma, gradativa, reduzir as despesas do Estado na área social.

Evidentemente que isso é apenas um exemplo, essa lista pode e deve ser ampliada, com aspectos objetivos de cada um dos candidatos e da candidatura.

Com base nisso, cada eleitor, poderia pensar o que é melhor para si e para o País e definir seu voto.
Faço isso, com o firme propósito de que deixemos de ter uma postura de terroristas, altamente tendenciosa e de manipulação, não deixando espaço para reflexão e decisão, tão necessárias neste momento.
Continuarei respeitando as posições diferentes da minha, e espero, também que minha decisão seja, igualmente, respeitada.
Ressalto que minha posição, assim como a de muitos que, porventura, resolver votar em Dilma Roussef, não está baseado num estado de ignorância, de burrice, alienação ou qualquer outro epíteto dessa natureza.
Aprendi sempre a procurar respeitar as opiniões contrárias, ainda que possa divergir delas, mas buscar sempre manter o respeito.
Não me interessa o passado pré-histórico de infância ou juvenil de alguém. Todos têm direito à mudança, desde que tomem posição e permaneçam nela, essa é a definição de perseverança, e se aplica, inclusive a quem se converteu ao verdadeiro cristianismo.
Desejo que, nesse segundo turno, tenhamos uma campanha mais pacífica, democrática, de posições reais de candidatos - pois se continuarmos nesse caminho - e com a contribuição e prática, que nós, cristãos, estamos proporcionando - com certeza, com nossa contribuição, a campanha será do mais profundo "baixo nível".

Com esperança, e em Cristo,

Saulo A. Ferreira.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

"Cansei...Basta"! Vou votar no Serra, do PSDB. - Vejam se entendem...

Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato demais. O salário dos pobres aumentou, e qualquer um agora se mete a comprar, carne, queijo, presunto, hambúrguer e iogurte.
Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum, a gentalha toda vai para a noite. Cansei dessa demagogia.
Cansei de ir em Shopping e ver a pobreza comprando e desfilando com seus celulares.
O governo reduziu os impostos para os computadores. A Internet virou coisa de qualquer um. Pode? Até o filho da manicure, pedreiro, catador de papel, agora navega...
Cansei dos estacionamentos sem vaga. Com essa coisa de juro baixo, todo mundo tem carro, até a minha empregada. " É uma vergonha! ", como dizia o Boris Casoy. Com o Serra os congestionamentos vão acabar, porque como em S.Paulo, vai instalar postos de pedágio nas estradas brasileiras a cada 35 km e cobrar caro.
Cansei da moda banalizada. Agora, qualquer um pode botar uma confecção. Tem até crédito oferecido pelo governo. O que era exclusivo da Oscar Freire, agora, se vende até no camelô da 25 de Março e no Braz.
Vergonha, vergonha, vergonha...
Cansei de ir em banco e ver aquela fila de idosos no Caixa Preferencial, todos trabalhando de office-boys.
Cansei dessa coisa de biodiesel, de agricultura familiar. O caseiro do meu sítio agora virou "empreendedor" no Nordeste. Pode? Cansei dessa coisa assistencialista de Bolsa Família. Esse dinheiro poderia ser utilizado para abater a dívida dos empresários de comunicação (Globo, SBT, Band, RedeTV, CNT, Fôlha SP, Estadão, etc.). A coitada da "Veja" passando dificuldade e esse governo alimentando gabiru em Pernambuco. É o fim do mundo.
Cansei dessa história de PROUNI, que botou esses tipinhos, sem berço, na universidade. Até índio, agora, vira médico e advogado. É um desrespeito... Meus filhos, que foram bem criados, precisam conviver e competir com essa raça.
Cansei dessa história de Luz para Todos. Os capiaus, agora, vão assistir TV até tarde. E, lógico, vão acordar ao meio-dia. Quem vai cuidar da lavoura do Brasil? Diga aí, seu Lula...
Cansei dessa história de facilitar a construção e a compra da casa própria (73% da população, hoje, tem casa própria, segundo pesquisas recentes do IBGE). E os coitados que vivem de cobrar aluguéis? O que será deles? Cansei dessa palhaçada da desvalorização do dólar. Agora, qualquer um tem MP3, celular e câmera digital. Qualquer umazinha, aqui do prédio, pode pagar uma passagem de avião e passar férias até no Exterior. É o fim...
Vou votar no Serra. Cansei, vou votar no Serra, porque quero de volta as emoções fortes do governo de FHC, quero investir no dólar em disparada e aproveitar a inflação. Investir em ações de Estatais quase de graça e vender com altos lucros. Chega dessa baboseria politicamente correta, dessa hipocrisia de cooperação. O motor da vida é a disputa, o risco... Quem pode, pode, quem não pode, se sacode. Tenho culpa eu, se meu pai era mais esperto que os outros para ganhar dinheiro comprando ações de Estatais quase de graça? Eles que vão trabalhar, vagabundos, porque no capitalismo vence quem tem mais competência. É o único jeito de organizar a sociedade, de mostrar quem é superior e quem é inferior.
Eu ia anular, mas cansei. Basta! Vou votar no Serra. Quero ver essa gentalha no lugar que lhe é devido. Quero minha felicidade de volta.”

[Esse texto é de natureza figurada; uma ironia, portanto!]
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Comentários:

- o que os olhos não vêem... a exclusão não sente...

(Só pros devagar... Ironia é o nome disso..)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Resposta de uma professora à crítica descabida de Veja

Ótimo texto
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- Acrescento que, até mesmo em Brasília, na Capital Federal, ainda não se permitiu que os professores pudessem usar uma planilha eletrônica, tão bem elaborada atingindo os melhores resultados, com lançamentos de notas, faltas, totais desses, e até média com arredondamento, elaborada em um planilha de excel... e isso já foi feito por professores de várias escolas.. A instituição deu preferência pelo trabalho manual, utilzando-se de pequena calculadora, não menos arcaica!
É importante também destacar a educação familiar, numa modernidade em que é crime educar e disciplinar filhos, eles que ainda nada sabem, são quem, segundo os novíssimos filósofos, devem decidir sobre qual é o melhro caminho! Santa Ignorância...
Assim, faz muita falta uma varinha, que não machuca ninguém em casa, para que nossos filhos saibam que, para tudo há limites, e possa ouvir e atender os professores...Se não conseguem ouvir os pais em casa, vão saber ou querer ouvir os professores???
As crianças de hoje estão entregues à sua própria direção em casa, têm sua própria motivação e desafeição, assim, na escola, jamais atendem à nenhuma outra motivação, senão àquela que recebem em casa.
Penso que governantes, de um modo geral, e educadores deveriam conscientizar os pais e mães de famílias sobre esse grave problema. tal atitude significaria grande prevenção social e significaria, também, grande economia de verbas públicas na Segurança Pública, que teria muito menos questões de convulsão social e marginalidade a resolver...
Jornalista tem cada uma - fazer reportagem é fácil, vá atuar na área que estão criticando!!!
Desculpem o preâmbulo e boa leitura...
(Saulo Ferreira)
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Leiam a resposta de uma professora do Paraná a reportagem da revista Veja sobre a educação no Brasil.

Abaixo cópia da carta escrita por uma professora que trabalha no Colegio Estadual Julio Mesquita,
à revista Veja.

RESPOSTA À REVISTA VEJA


Sou professora do Estado do Paraná e fiquei indignada com
a reportagem da jornalista Roberta de Abreu Lima “Aula Cronometrada”.
É com grande pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre
as causas do mau desempenho escolar com as VERDADEIRAS razões que
geram este panorama desalentador.
Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas
para diagnosticar as falhas da educação. Há necessidade de todos os
que pensam que: “os professores é que são incapazes de atrair a
atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital”
entrem numa sala de aula e observem a realidade brasileira. Que alunos
são esses “repletos de estímulos” que muitas vezes não têm o que comer
em suas casas, quanto mais inseridos na era digital? Em que pais de
famílias oriundas da pobreza trabalham tanto que não têm como
acompanhar os filhos em suas atividades escolares, e pior em
orientá-los para a vida? Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas
drogas e destruídas pela ignorância e violência, causas essas que
infelizmente são trazidas para dentro da maioria das escolas
brasileiras. Está na hora deos professores se rebelarem contra as
acusações que lhes são impostas. Problemas da sociedade deverão ser
resolvidos pela sociedade e não somente pela escola.

Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha
infância, onde pai e mãe, tios e avós estavam presentes e quando era
inadmissível faltar com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos
professores e não cumprir as obrigações fossem escolares ou
simplesmente caseiras, faço comparações com os alunos de hoje
“repletos de estímulos”. Estímulos de quê? De passar o dia na rua,
não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas
horas da noite??? (quando o têm), brincando no Orkut, ou o que é ainda
pior envolvidos nas drogas. Sem disciplina seguem perdidos na vida.
Realmente, nada está bom. Porque o que essas crianças e jovens
procuram é amor, atenção, orientação e ...disciplina.

Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos, há uns
anos, de estímulos? Simplesmente: responsabilidade, esperança,
alegria. Esperança de que, se estudássemos teríamos uma profissão,
seríamos realizados na vida. Hoje os jovens constatam que se venderem
drogas vão ganhar mais. Para que o estudo? Por que numa época com
tantos estímulos não vemos olhos brilhantes nos jovens? Quem, dos mais
velhos, não lembra a emoção de somente brincar com os amigos, de ir
aos piqueniques, subir em árvores? E, nas aulas, havia respeito, amor
pela pátria.. Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas
“chatas” só na lousa e sabíamos ler, escrever e fazer contas com
fluência. Se não soubéssemos, não iríamos para a 5ª. Série.
Precisávamos passar pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão. E
tínhamos motivação para isso.

Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam
filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil
para leitura em sala-de-aula (o que, às vezes, resulta em uma
revolução), levam alunos à biblioteca e outros locais educativos
(benza, Deus, só os mais corajosos!) e, algumas escolas públicas onde
a renda dos pais comporta, até passeios interessantes, planejados,
minuciosamente, como ir ao Beto Carrero. E, mesmo, assim,
a indisciplina está presente, nada está bom.
Além disso, esses mesmos professores “incapazes” elaboram atividades
escolares como provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana,
tudo sem remuneração;

Todos os profissionais têm direito a um intervalo que não
é cronometrado quando estão cansados. Professores têm 10 minutos de
intervalo, quando têm que se escolher entre ir ao banheiro ou tomar, às
pressas, o cafezinho. ( Professor de Educação infantil, não tem intervalo).
Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que
se sujeitar a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40 horas semanais.

E a saúde?
É a única profissão que conheço que embora apresente atestado médico, tem que repor horas aulas. Plano de saúde? Muito precário. Há de se pensar,
então, que são bem remunerados... Mera ilusão! Por isso, cada vez
vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que realmente
gostam de ensinar, os que estão se aposentando e estão perplexos com
as mudanças ocorridas no ensino nos últimos tempos e os que aguardam uma
chance de “cair fora”.
Todos devem ter vocação para Madre Teresa de
Calcutá, porque, por mais que se esforcem em ministrar boas aulas,
ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”,”puta”, “gordos “, “velhos”
entre outras coisas.
Como isso é motivante e temos ainda que ter forças para motivar.
Mas, ainda não é tão grave. Temos notícias, dia a dia, até de agressões a professores por alunos. Futuramente, esses mesmos alunos,
talvez agridam seus pais e familiares.

Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de
Moura Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de
incivilidade de seus cidadãos ultrapassa um certo limite. E acho que
esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos que não merecem.
Assim, nunca vão saber porque devem estudar e comportar-se na sala de
aula; eles passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com
indisciplina... E isso é um crime! Vão passando série após série, e
não sabem escrever nem fazer contas simples. Depois a sociedade os
exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é cruel e eles já são
adultos.

Por que os alunos do Japão estudam? Por que há
cronômetros? Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais
importante é porque há disciplina. E é isso que precisamos e não de
cronômetros. Lembrando: o professor estadual só percorre sua íngreme
carreira mediante cursos, capacitações que são realizadas,
preferencialmente aos sábados.
Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e aprimorando-se.

Em vez de cronômetros precisamos de carteiras escolares,
livros, materiais, quadras esportivas cobertas (um luxo para a grande
maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e
em maior quantidade. Existem muitos colégios nesse Brasil afora que
nem cadeiras possuem para os alunos sentarem. E é essa a nossa
realidade! E, precisamos, também, urgentemente de educação para que
tudo que for fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo

Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a
preencher os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões
(ô, coisa arcaica!), e ainda assim ouve-se falar em cronômetros.
Francamente!!!

Passou da hora de todos abrirem os olhos e fazerem algo
para evitar uma calamidade no país, futuramente. Os professores não
são culpados de uma sociedade incivilizada e de banditismo, e
finalmente, se os professores até agora não responderam a todas as
acusações de serem despreparados e “incapazes” de prender a atenção
do aluno com aulas motivadoras, é porque não tiveram TEMPO. Responder a
essa reportagem custou-me metade do meu domingo, e duas turmas sem as
provas corrigidas.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

MÍDIA-EDUCAÇÃO (Resumo por Maria Luiza Beloni)

RESUMO DO LIVRO:
O QUE É MÍDIA NA EDUCAÇÃO? POLÊMICAS DO NOSSO TEMPO

Maria Luiza Beloni

Neste livro Belloni trata de como funciona a autodidaxia para adequar métodos e estratégias de ensino e assegurar que não se percam de vista as finalidades maiores da educação, ou seja, formar o cidadão competente para a vida em sociedade o que inclui a apropriação crítica e criativa de todos os recursos técnicos que estão à disposição desta sociedade.
Mc Luhan há 40 anos lançou o desafio “o meio é a mensagem”, refutando assim a tese da neutralidade do meio tecnológico ao transmitir a mensagem. Apontando assim para a tese que hoje é aceita que chamamos “linguagens das mídias eletrônicas”.
Hoje percebemos a influência dessas Tecnologias de Informação e Comunicação TIC nas pessoas, sobre os processos e nas instituições sociais.
Uma questão crucial formulada por Belloni é: como poderá a escola contribuir para que todas as nossas crianças se tornem utilizadoras (usuárias) criativas e críticas destas novas ferramentas e não meras consumidoras compulsivas de representações novas de velhos clichês?
A instituição escolar poderá responder a esse desafio integrando as tecnologias de informação e comunicação ao cotidiano da escola na sala de aula, de modo criativo, competente. Isto exige investimentos significativos e transformações profundas e radicais em: formação de professores; pesquisa voltada para metodologias de ensino; nos modos de seleção, aquisição e acessibilidade de equipamentos; materiais didáticos e pedagógicos, além de muita, muita criatividade.
Novos desafios são lançados para o professor onde o mesmo terá que aprender a trabalhar em equipe e a transitar com facilidade em muitas áreas disciplinares. Será imprescindível quebrar o isolamento da sala de aula convencional e assumir funções novas e diferenciadas.
O papel de mediador entre meios de comunicação e realidade cabe a diferentes agentes presentes nas vidas das crianças, a começar pelos pais. É na família que a mediação deveria acontecer diretamente, visto ser no aconchego do lar que, normalmente, ocorre a recepção das mensagens comunicacionais.
Cabe também à escola este papel de mediador e formador do espectador crítico. A própria Belloni, entretanto, coloca em seu artigo que a variação dos universos de socialização das crianças e os diferentes papéis que eles exercem: “Enquanto a família, a classe social, o bairro, os grupos de pares, e às vezes, a religião são fatores de diferenciação das crianças face ao processo de socialização, a escola e a mídia funcionam como fatores de unificação, cuja finalidade é assegurar o consenso em torno de valores e normas supostamente aceitos.” (p. 34)

A escola que tem condições teóricas e práticas de executar a tarefa de educação para as mídias. “Como depositária do espírito crítico, responsável pela elaboração das aprendizagens e pela coerência da informação, a escola detém a legitimidade cultural e as condições práticas de ensinar a lucidez às novas gerações.”(p.41)
O que se destaca é a necessidade de integrar os meios de comunicação à escola, tanto como instrumento, quanto como objeto de estudo, considerando a nova linguagem e forma de expressão que eles introduzem no universo infantil, principalmente a televisão.
O problema consiste nas condições materiais e técnicas e no preparo de professores para esta tarefa. É considerável a responsabilidade dos sistemas educativos em relação a esse novo desafio que é formar os educadores para essa nova tarefa que é desenvolver disciplinas que são as ciências da informação e comunicação.
Quando focamos para a escola pública observamos que essa desigualdade é ainda maior ela oferece ensino de segunda classe, desempenhando seu papel na reprodução das desigualdades sociais onde deveria era desempenhar o papel de escola transformadora, que integra todos os recursos tecnológicos à disposição do homem contemporâneo, numa perspectiva inovadora e igualitária. Belloni encerra dizendo que: uma simples introdução de um suporte tecnológico não significa inovação educacional. Esta só ocorrerá quando houver transformação nas metodologias de ensino e nas próprias finalidades da educação.


sábado, 6 de dezembro de 2008

DEUS É CULPADO?

Finalmente a verdade é dita na TV Americana. A filha de Billy Graham estava sendo entrevistada no Early Show e Jane Clayson perguntou a ela:
Como é que Deus teria permitido algo horroroso assim acontecer no dia 11 de setembro?

Anne Graham deu uma resposta profunda e sábia:

Eu creio que Deus ficou profundamente triste com o que aconteceu, tanto quanto nós. Por muitos anos temos dito para Deus não interferir em nossas escolhas, sair do nosso governo e sair de nossas vidas. Sendo um cavalheiro como Deus é, eu creio que Ele calmamente nos deixou.. Como poderemos esperar que Deus nos dê a sua bênção e a sua proteção se nós exigimos que Ele não se envolva mais conosco?

- À vista de tantos acontecimentos recentes; ataque dos terroristas, tiroteio nas escolas, etc... Eu creio que tudo começou desde que Madeline Murray O'hare (que foi assassinada), se queixou de que era impróprio se fazer oração nas escolas Americanas como se fazia tradicionalmente, e nós concordamos com a sua opinião.

Depois disso, alguém disse que seria melhor também não ler mais a Bíblia nas escolas... A Bíblia que nos ensina que não devemos matar, roubar e devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos. E nós concordamos com esse alguém.

Logo depois o Dr. Benjamin Spock disse que não deveríamos bater em nossos filhos quando eles se comportassem mal, porque suas personalidades em formação ficariam distorcidas e poderíamos prejudicar sua auto estima, (o filho dele se suicidou) e nós dissemos: 'Um perito nesse assunto deve saber o que está falando'. E então concordamos com ele.

Depois alguém disse que os professores e diretores das escolas não deveriam disciplinar nossos filhos quando se comportassem mal. Então foi decidido que nenhum professor poderia tocar nos alunos... (há diferença entre disciplinar e tocar).

Aí, alguém sugeriu que deveríamos deixar que nossas filhas fizessem aborto, se elas assim o quisessem. E nós aceitamos sem ao menos questionar.

Então foi dito que deveríamos dar aos nossos filhos tantas camisinhas quantas eles quisessem para que eles pudessem se divertir à vontade. E nós dissemos: 'Está bem!'

Então alguém sugeriu que imprimíssemos revistas com fotografias de mulheres nuas, e disséssemos que isto é uma coisa sadia e uma apreciação natural do corpo feminino.

Depois uma outra pessoa levou isso um passo mais adiante e publicou fotos de crianças nuas e foi mais além ainda, colocando-as à disposição da Internet. E nós dissemos: 'Está bem, isto é democracia, e eles têm o direito de ter liberdade de se expressar e fazer isso'.

Agora nós estamos nos perguntando por que nossos filhos não têm consciência e porque não sabem distinguir entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, porque não lhes incomoda matar pessoas estranhas ou seus próprios colegas de classe ou a si próprios... Provavelmente, se nós analisarmos seriamente, iremos facilmente compreender: nós colhemos aquilo que semeamos!!!

Uma menina escreveu um bilhetinho para Deus: 'Senhor, por que não salvaste aquela criança na escola?'

A resposta dele: 'Querida, não me deixam entrar nas escolas!'

É triste como as pessoas simplesmente culpam a Deus e não entendem porque o mundo está indo a passos largos para o inferno.

É triste como cremos em tudo que os Jornais e a TV dizem, mas duvidamos do que a Bíblia, ou do que a sua religião, que você diz que segue, ensina..

É triste como todo mundo quer ir para o céu, desde que não precise crer, nem pensar ou dizer qualquer coisa que a Bíblia ensina. É triste como alguém diz: 'Eu creio em Deus', mas ainda assim segue a satanás, que por sinal, também 'crê' em Deus.

É engraçado como somos rápidos para julgar mas não queremos ser julgados!

Como podemos enviar centenas de piadas pelo e-mail, e elas se espalham como fogo, mas quando tentamos enviar algum e-mail falando de Deus, as pessoas têm medo de compartilhar e reenviá-los a outros!

É triste ver como o material imoral, obsceno e vulgar corre livremente na Internet, mas uma discussão pública a respeito de Deus é suprimida rapidamente na escola e no trabalho. É triste ver como as pessoas ficam inflamadas de Cristo no domingo, mas depois se transformam em cristãos invisíveis pelo resto da semana.

Você está achando engraçado? Você mesmo pode não querer reenviar esta mensagem a muitos de sua lista de endereços porque você não tem certeza a respeito de como a receberão, ou do que pensarão a seu respeito, por lhes ter enviado. Não é verdade?

Gozado que nós nos preocupamos mais com o que as outras pessoas pensam a nosso respeito do que com o que Deus pensa... 'Garanto que Ele, que enxerga tudo em nosso coração, está torcendo para que você, no seu livre arbítrio, envie estas palavras a outras pessoas'.

sábado, 1 de novembro de 2008

Conta e tempo

Dando Conta do Tempo

Um poema, um texto que já me fez refletir sobre meu tempo, e tenho que pensar mais no seu aproveitamento adequado para não me perder na vida, nos anseios, nas diversidades de ansiedades e desejos desnecessários.


Conta e tempo


Deus pede estrita conta de meu tempo
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta;
Mas como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado e não fiz conta;
Não quis, sobrando tempo, fazer conta,
Hoje quero acertar conta e não há tempo.

Ó vos que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis o vosso tempo em passa-tempo;
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta.

Pois aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo.

Laurindo Rabelo

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Mãos dadas, de Carlos Drummond de Andrade

    Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.


Autopsicografia, de Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Livre-se do excesso

Muito Interessante esse texto e nos chama à atenção para aliviarmos nossas "cargas".

Sua casa, armários e despensa, e inclusive o carro, estão repletos de
caixas cheias de coisas que não servem mais para nada, mas que você
ainda guarda por via das dúvidas, ou estão transbordando de coisas que
não usa há muito tempo, até mesmo desde quando as comprou?

O estilo de vida consumista nos leva continuamente a comprar e acumular
cada vez mais coisas, mas, em vez de trazer felicidade, como prometem os
anúncios de publicidade e os vendedores, muitas vezes os objetos que nos
cercam, mas que não usamos, terminam complicando a vida.

"Menos é mais", diz um anônimo, mas sábio, ditado popular. A procura por
qualquer livro, documento, ferramenta ou um número de telefone pode ser
um desafio como encontrar uma agulha no palheiro quando o ambiente está
abarrotado de coisas.

Desfazer-se do que não é mais útil requer esforço, assim como escolher
que coisas ainda servem e quais não. Mas é só lembrar a satisfação de
quando se livrou de algo que pensava que nunca poderia jogar fora ou
dar. Foi como se tirasse um peso do coração!

É possível receber os benefícios sem antes deixar um vazio? Segundo a
especialista Dominique Loreau, autora do livro "L´art de La Simplicité"
(A arte da simplicidade), isso não só é possível, mas o ideal para levar
uma vida baseada na simplicidade e na beleza.

Ao longo de seus anos de vida e estudo da filosofia zen no Japão, Loreau
descobriu que a simplicidade enriquece a vida, liberando-a de
preconceitos e restrições, e pode se refletir em cada uma das facetas de
nossa existência.

Austeridade nas compras, simplicidade nas roupas, clareza nos
pensamentos, frugalidade na alimentação. A simplicidade consiste em ter
pouco para encontrar a liberdade de chegar ao essencial. Isso se traduz
em elegância, bem-estar, serenidade e beleza. Algumas propostas podem
ajudar a seguir esse caminho:


# Busque o minimalismo confortável: Sua casa deve ser um local de descanso
e refúgio, onde cada objeto deve ter sua utilidade. Faça uma lista do
que você realmente precisa e do que é simplesmente decorativo e não
serve para nada. Desfaça-se do que não tem serventia. Há elementos de
caráter emocional, como as fotos de familiares e amigos, mas não é
preciso abarrotar a casa com elas por todas as partes.
# Pense duas vezes antes de comprar alguma coisa: Quando for adquirir
algo, reflita por alguns instantes se realmente terá alguma utilidade ou
se está comprando puramente por questões estéticas.
# Fuja das modas passageiras: Em vez de encher o guarda-roupa (e esvaziar
os bolsos) com roupas que só vai vestir por um ano e depois sairá de
moda, escolha roupas de boa qualidade e que não ficarão defasadas
rapidamente, para que dure mais tempo. É preferível ter uma peça do que
três que estragarão após a primeira lavagem.
# Pergunte a si mesmo se precisa de alguma coisa: Antes de guardar alguma
coisa, pergunte-se: "por que estou guardando isso? Para que serve?". O
mesmo se aplica às coisas que você já tem guardadas: se chegar à
conclusão de que não servem mais, dê de presente ou se desfaça delas sem
remorso.


Por Daniel Galilea
Efe-Reportagens

Sugestões de Livros para apoio ao trabalho com Produção de Textos:

Posto aqui, sugestão de livros para auxiliá-lo no trabalho com leitura e Produção de Textos. São livros que trazem propostas valiosas. Talvez até já conheçam alguns deles.  

1. O texto na Sala de Aula. Autor: João Wanderley Geraldi. Ed. ASSOESTE. 
2. Escrever é Desvendar o Mundo (A Linguagem Criadora e o Pensamento Lógico. Autor: Severino Antônio M. Barbosa e Emília Amaral. Coleção Educar Aprendendo. Editora Papirus. 
3. Cem Aulas Sem Tédio - Língua Portuguesa. Autores: Antônio Falceta, Lígia Mathes, Vanessa amorim e Vivian Magalhães. Editora Instituto Padre Reus. 
4. Escrever é Divertido. Autor: Simão de Miranda. Papirus Editora. 
5. Oficina de Dinâmica de Grupos - Para Empresas, Escolas e Grupos Comunitários. Autor: Simão de Miranda. Papirus Editora. 
6.Do Fascínio do jogo à alegria de aprender nas séries iniciais. Autor: Simão de Miranda. Papirus Editora. 

Espero que lhes possam ser úteis.  

Um grande abraço.  

Saulo.

Desagravo a Paulo Freire

Carta a um amigo sobre a reportagem que se refere à ofensa a Paulo Freire e a resposta da viúva deste

 Escrito em 15/10/2008

Só hoje, dia 16/10 pude ler esta matéria, do texto abaixo, sobre a crítica a Paulo Freire, e  que você me enviou.  Agradeço muito.  E agradeço por saber que não estou só, pois me sinto um desprovido de propriedades pensantes quando pego de uma revista veja... coisa que no passado não ocorria, mas essa revistinha passou a atender aos interesses de oligárquicos e gêneros afins, aos quais ela se vende e de quem se apresenta como meio de comunicação e de perpetuação de misérias e mazelas.  Tudo que de bom é feito atualmente nesse país, se tiver uma conotação de  realização não neoliberal, em que pese uma nova realidade em que estamos vivendo (dizem que não há diferença nenhuma, e não há mais cor na ideologia... ótimo – então por que os questionamentos?).

Mas, a meu ver a elite quer destroçar tudo o que é e pode ser feito para valorizar o que se constrói em favor de classes menos favorecidas. Está aí, o caso de Paulo Freire... Puxa... quem ousa dizer mal e desfazer de Paulo Freire, ou é doido, nunca o leu (deve ser o caso dessas repórteres... ) ou somente ouviu falar (e mal) desse grande educador, que , atualmente, é traduzido em cerca de 30 países...

 Ou seja: Esses brasileiros(as) que se acham no direito de desprestigiar um de seus maiores representantes  da educação, só entende uma coisa: Esse países que o traduziram são loucos, malucos e só valorizam o que não presta, o que se joga fora...

 Quero dizer, então,  duas coisas:  em épocas diferentes me mantiveram vivo, alerta e disposto a me manter ainda mais na Educação e conservar vivo o meu sonho: Primeiro foram as leituras que fiz de Paulo Freire – suas idéias me contagiaram de início, no ano de 1987, e me fizeram ver que a Educação era algo vivo, e eu podia acreditar ainda mais no meu papel de Professor e Educador. Segundo, como forma de sobrevivência nesse mundo glo(bo)balizado – não tive escolha, a informática teve um papel importante para se estabelecer um ponte com o conhecimento armazenado e retransmitido a quantos o acessassem na internet, bem como outras formas de interação informatizadas.

Mas, o papel da informática nada vale, se não houver um interação, uma  compreensão de que estou interagindo com pessoas, e assim, revisito, releio, revivo, recobro, renasço e sobrevivo com as idéias de Paulo Freire, ao lembrar-me que a educação não deve ser "bancária", mas viva, participativa, interativa, e valorizada com a construção do conhecimento, coletivamente, dialogicamente, uma espécie de maiêutica socrática – metodologia esta que os jornalistas de feição  neoliberal e mercadejadora de Veja jamais irão perceber. A única coisa a que chamam de tese é o desafio de seus patrões de saírem às ruas e comprovar uma idéia, por exemplo, de que o Brasil teve o pior educador, ou que o Brasil vai mal, seja na Economia, seja na Educação.

Veja – para seus diretores, aliados dos poderosos (financeiramente), descendentes dos tiranos e da dinastia do "Café-com-Leite", hoje, na sua mais nova conformação de formato do "Latifúndio-com-Vaca-e-Estilo-Classe-Eco-A" (Classe Econômica Alta), não aceita jamais a idéia de que haja ascensão social neste Brasil, tão sofrido e que tanto tempo esperou por alguma melhora.

Com certeza, a Educação teria também que ser atacada por veja.... pois tudo o que é  povo, ela ataca.

Paulo Freire foi essa insígnia, esse símbolo maior da Educação que quis alcançar  o que muitos, neste País, não quiseram tocar.

 Grato pela mensagem e pela oportunidade de repensar e de me afirmar como Professor e como Educador – pois essa é uma das áreas de que mais se precisa de pessoas convictas neste País. Deus queira que surjam mais... Quanto a salário, diriam essas jornalistas, representando pessoas de mesmo quilate e de mesmo perfil: Professor não precisa de dinheiro....

 Ah, sim: Já deixei de ler Veja há umas duas décadas. Não encontro mais a alegria de ler notícias com gosto de coisas novas e de análise crítica e que contribuam para a minha reflexão e crescimento.

 Um grande abraço.

 Saulo A. Ferreira.

Professor da Secretaria de Estado de Educação do DF

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VIÚVA DE PAULO FREIRE ESCREVE CARTA  DE REPÚDIO À REVISTA VEJA

 Atualizado em 12 de setembro de 2008 às 10:46 | Publicado em 12 de setembro de 2008 às 10:38

 por CONCEIÇÃO LEMES: Na edição de 20 de agosto de 2008, a revista Veja publicou a reportagem O que estão ensinando a ele? De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira , ela foi baseada em pesquisa sobre qualidade do ensino no Brasil. Lá pelas tantas há o seguinte trecho:

'Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado'.

Curiosamente, entre os especialistas consultados está o filósofo Roberto Romano, professor da Unicamp. Ele é o autor de um artigo publicado na Folha, em 1990, cujo título é Ceausescu no Ibirapuera. Sem citar o Paulo Freire, ele fala do Paulo Freire. É uma tática de agredir sem assumir. Na época Paulo, era secretário de Educação da prefeita Luiza Erundina.

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Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio:

'Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE -- e um dos maiores de toda a história da humanidade --, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do "filósofo" e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.

Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido - na qual esta política de distribuição da renda se baseou - que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu "Norte" e "Bíblia", esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008

Ana Maria Araújo Freire'.

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Comentário de um amigo, que também se sentiu chocado com a caluniosa reportagem:

 Não resisti a fazer o seguinte comentário:

Não costumo escrever-repassar críticas às reportagens produzidas pela revista Veja, até porque não assino e nem leio. Não gosto, nivela por baixo e padroniza a inteligência de seus leitores com sua habitual linguagem e "profundidade" na abordagem de temas mais delicados e polêmicos de uma forma ligeira. É quando a des-informação ocupa em nosso cérebro, confortavelmente, o espaço da ilusão da informação em seu sentido mais alienante. Na extensão de páginas e páginas, uma matéria pode parecer abarcar tudo mas, ao final, quase sempre, tudo tem o mesmo sabor igual e inócuo do imobilismo do pensamento e da ação. Não muda nada de susbstancial em nossas consciências e em nossa vda. A não ser tornar-nos mais passivos dessa informação, talvez este o seu objetivo. Schopenhauer disse que, quando lemos, o escritor já se deu ao trabalho de pensar por nós, apenas acompanhamos a posteriori um pensamento desenvolvido por ele. Concluo, então, que é melhor não ler pensamentos que, por princípio, forjaram-se ou na intenção deliberada de uma informação distorcida, ou na preguiça de um aprofundamento maior. Como quando vemos TV, o cérebro não funciona, mais que nada descança. Se não o estimulamos de outra forma, atrofia.

 

Até mesmos as colunas de frivolidades carecem dessa atenção e cuidado. Podem, inclusive, ascender a um grau de qualidade de informação que enriquece as notícias do mundo privado (das celebridades, por exemplo,algumas delas legítimas) tornando-as mais que curiosas para o mundo público, exemplares.

 

O mais importante, entretanto, é que a mídia se mantenha na posição de um mínimo de isenção e respeito às idéias divergentes, concedendo direito de voz a todos os lados acessíveis da questão e sendo escrupulosa na revisão de princípios e valores já sedimentados em nossa sócio-cultura. Não pode ser tendenciosa - pior quando ostensivamente - na defesa de uma idéia moral, política ou religiosa, em favor ou contra um governo, etc. Deve-se manter, na medida do possível, na linha divisória do discernimento necessário ao julgamento mais justo possível, ter - e demonstrar para seus leitores - seu cuidado com a veracidade e idoneidade da informação que veicula, suas fontes. O prestígio de revistas como The Economist, além da escolha de seus assuntos, também foi conquistado por essa preocupação de seus editores. Reservar espaço restrito em Cartas dos leitores a manifestações de indignação com o desrespeito a esse princípios não é suficiente. O crime da informação irresponsável já foi cometido.

 

Todas as denúncias contra a Veja que me chegam são de infração desses princípios por um veículo de informação que não mede esforços para colocar seus interesses - ou de quem quer que seja que os financie - acima do bem comum.

 

Infelizmente, recebi mais esta mensagem e fiquei indignado. Digo infelizmente porque se a Veja disse isso, deve estar pior - e mais perigosa - do que eu poderia imaginar! Uma matéria-lixo como essa, comentada a seguir, deveria ser alvo de repúdio nacional. Afinal, o espaço concedido pelo mercado à grande imprensa na difusão de fatos quando não há respeito e consideração pela legitimidade desses mesmos fatos, tampouco dignidade ética no trabalho jornalístico, ameaça nossa fé na própria liberdade de expressão. E este é o bem maior a se proteger e defender, depois de tantos anos de ditadura e males causados (com a indispensável ajuda da mídia) a pelo menos duas gerações da sociedade brasileira, que ainda nos custa tanto reparar.

Chega dessa imprensa imoral e despudorada.

 

terça-feira, 27 de maio de 2008

Minha Conversa na Sala de Coordenação com Professores: Por que Acreditar?

Estava passando em frente à Sala de Coordenação, em minha Escola, quando ouvi, alguém afirmando o seguinte (vou chamar de personagem 1, Personagem 2, e assim por diante para não identificar as pessoas presentes àquela conversa):
Personagem 1: Não dá pra aceitar um povo se achar escolhido de Deus e entender que é o melhor, e achar que só o seu Deus é o verdadeiro.
Senti vontade de participar da conversa.. Tomei ares de intruso e entrei.
- Com licença, desculpe-me pela intromissão, mas deixe-me dizer algo.... Nem sempre o que eu acho que é ou quero que seja, vai ser assim de fato, simplesmente porque eu quero que seja assim. Uma coisa é o que penso, outra é o que é de fato, objetivamente.
Personagem 1: Como assim?
Respondo:
Por exemplo: Você pode dizer que não há outros planetas, mas quando você toma um telescópio, você pode constatar que há outros planetas. Essa questão de falar de um povo de Deus pode passar também por isso, ou seja por fé... É necessário entender isso com outro enfoque.
Personagem 1: Ora, veja você: o homem vem da mesma origem. Não dá para dizer que um é melhor que o outro. O homem evolui e a teoria da evolução mostra isso...

Personagem 1 : Sim , o homem evoluiu desde suas origens, desde o macaco.... [ou algo assim...]
Personagem 2: Não se pode dizer que seja exatamente do macaco, é uma seqüência de fatos.
- Evolui de quê? Entendo que o homem foi criado, perfeito e tomou o seu caminho e se desorientou . Acredito no criacionismo [embora com suas implicações filosóficas, mas foi uma forma de me situar na discussão] , isto é, que Deus criou o homem.
Personagem 1: Então, você acredita que houve uma voz: Faça-se o homem.... e o homem foi criado?
Digo: Perfeitamente, não há como pensar em outra coisa, outro processo.
Personagem 1: Mas, colega, a teoria da evolução é clara. Antes, no início, veja aqui neste desenho [e começou a desenhar um par de pequenas lagartas ou larvas... ] – havia, por exemplo, duas pequenas lagartas, uma continuou com suas características, a outra foi evoluindo, evoluindo, adaptou-se ao meio, e veio a constituir a linha de seres que deu origem ao homem. Darwin e mais tarde, Mendel e outros, continuam trabalhando essa idéia. Os fatos são claros ...
-... Conheço essa historia....
Personagem 1: .... Então, veja: os fatos são claros, você não pode contestar essa evidência, não pode negar isso...
Adianto, então:
- Que fatos??? –- Que evidência???
Alguém, algum homem estava lá para ver isso, naquele momento, no momento do surgimento do mundo, algum cientista? Você viu isso?
Como você pode chamar isso de evidência? - pergunto.
Pelo que entendo, evidência é algo que se vê, é um fato. Não é uma mera história. Isso não é uma evidência.
Você acredita no evolucionismo como eu acredito no criacionismo, no fato de Deus ter criado, sim, o homem, o universo, tudo o mais. O Universo e o homem são frutos de uma vontade, de uma vontade pessoal de Deus.
Personagem 1: Não, que é isso?? Você está brincando com a ciência e com o que ela descobre.
Continuo: De jeito nenhum, entendo que a ciência é necessária, e também o conhecimento, mas até a verdadeira epistemologia (ciência do conhecimento) não pode aceitar isso como final. No exterior, as pessoas não aceitam a teoria da evolução como explicação final. Só aqui no Brasil, essa teoria é vista como verdade final. Coisa de gente tupiniquim.... – brinquei.
Personagem 2: Pela filosofia, Deus está presente em tudo, em nós... E nós somos de uma mesma natureza, o que está aí, é aquilo que se pode ver também em outros... E aí, até mesmo geneticamente, somos modificados por aquilo que comemos. Somos da mesma natureza dos objetos ao redor de nós. Por exemplo, se ingeri um vegetal, agora sou também vegetal...
Personagem 1: Sim, mas é isso mesmo... [diz esse colega, satisfeito, me pareceu, por ter sido acrescentada essa nova ilustração à discussão] - poderia ser outra coisa e estar aqui hoje... Eu poderia ser, por exemplo.. uma... uma... fruta!! [Risos e piadas] - Bem, vocês me entenderam... o que quis dizer... fui apenas infeliz nesse exemplo, talvez.
Comento: Bem, você [dirigindo-me à colega anterior que começou a citar exemplos filosóficos modernos...] quer dizer que ingeriu substâncias alimentares e orgânicas do vegetal, mas dizer que você é um vegetal, aí, é outra coisa...
Agora, entre ser alguém e ser uma fruta... tem muita diferença, não??
[alguns risos...]
Bem vocês estão apelando para o panteísmo e conclusões decorrentes dele... pois para essa corrente filosófica tudo é Deus e Deus é tudo ou está em tudo, algo assim.
Não posso concordar com isso. O homem não tem a mesma natureza de um animal nem é uma pedra.
Personagem 1: Por que não?
-Porque temos uma necessidade de significado e de sentido para a vida, um objetivo, um anseio, que uma pedra simplesmente não tem.
Se assim o fosse, não precisaria me preocupar com nada... nem com o respeito ao outro. Alguém poderia, por exemplo, pegar uma pedra e jogar em você, e não faria nenhuma diferença, se deixasse ou não de fazer isso. Assim, o homem, por exemplo, é diferente de uma pedra, pois esta não sente e o homem sente, sim.
Personagem 1: Por que você diz isso?
Respondo:
Ora, essa é a conclusão lógica dos seus pressupostos científicos e filosóficos que você me apresenta.
Professor 3: Como você pode dizer que um ser humano sente e uma pedra não sente?
Continuo:
Bem, nunca vi uma pedra reclamar de nada. Você já viu??? [silêncio...]
Personagem 2: Nietzsche dizia isso... [cita várias coisas...] e que a religião serve para justificar a fraqueza dos homens, aquilo que não consegue fazer.
Digo: Nietzsche foi um desesperado.
Personagem 1: Por que você disso de Nietzsche?
Respondo: Por que ele não encontrou o que procurava, não encontrou o equilíbrio, não teve esperança. A maioria dos filósofos, senão todos, procuravam respostas para a vida dentro de um círculo de racionalidade e não encontrou. E filosofia não deixa de ser isso, até dá pra entender que é a busca de respostas para problemas. Porém, nem todos os problemas têm resposta na filosofia. Mas justamente por causa dessa impossibilidade, muitos filósofos abandonaram a expectativa de encontrar uma esperança.
Personagem 2: Pois é os filósofos já diziam que o conhecimento é um processo.
Acrescento: sim, e é um processo interno. Assim, como Sócrates disse que o homem deve conhecer-se a si mesmo, e esse é o início de todo o conhecimento, Cristo também mostrou que o homem precisa conhecer-se, e mais que isso, precisa de uma mudança interna, a que Ele vai chamar de transformação ou arrependimento.

E aí, vêm outras perguntas, para testar, quem sabe, a paciência:
Personagem 1: Mas você não acha que existem também outros seres, ao lado do homem, no universo... ou você pensa que tudo isso aqui é só do homem?
Pensei rápido, e disse comigo mesmo: “não vou entrar nessa, pois essa é uma discussão interminável... vou deixar esse aspecto para outra hora... penso que por enquanto isso é o bastante...”. E disse:
- Sim, eu acho que existem outros seres, sim... e fiquei esperando que me perguntassem quais. Fiquei esperando e pergunta não veio. Entendi que deveria deixar assim, mas se viesse a pergunta, eu ia dizer: “Está cheio de seres invisíveis aí pelo espaço, que eu chamo de anjos... e há vários deles...” . Bem, isso poderia render muito mais.
Aguardei... e então:

Personagem 1: Pois é, eu acho terrível a idéia de alguém dizer: “Só o meu Deus salva, ou só nesse Deus alguém pode ter salvação”.
Personagem 2: É... eu também penso que não dá para alguém afirmar isso. Nem de dizer que já é salvo.
Essa já era uma outra idéia que entrava na discussão, não menos importante, mas também não me prendi à discussão desse quesito. Entendi que isso poderia ficar para uma outra hora, para entrar em detalhamentos, mas adiantei:
- Cuidado! Vocês não podem deixar que algo ou esses pensamentos tomem a mente de vocês lhes e tire uma oportunidade e os atrapalhem a experimentarem uma outra realidade. As coisas existem, há uma outra realidade a que o homem não pode ter acesso de uma só vez, nem só racionalmente. Shakespeare já dizia: há mistérios entre os céus e a terra que o homem não pode conhecer... – acrescentei, já que estavam sendo citados aspectos de filosofia.
Nisso, outra intervenção:
Personagem 3: Saulo, mas você pensa que o homem é o ser mais inteligente e o mais importante do planeta?
Respondi: Bem, depende de que ótica, de que ponto de vista você está perguntando. Em relação a quê? O homem é o mais inteligente. Por exemplo, o homem pode encarar animais maiores que ele, como o elefante, o leão etc. Ele tem como fazê-lo.
Personagem 3: E no mar, por exemplo... a baleia e outros animais?? Como você vê isso? Você acha que ele tem domínio sobre esses animais?
Respondi: Sim, o homem já domina algumas técnicas para se mover no mar.
Personagem 1: Não totalmente, ele não consegue ir até maiores profundidades. Só consegue ir até um certo ponto. Ele é limitado...
Continuo: Bem, aí você já está falando de aspectos que envolvem ambientes, ecossistemas, de um habitat natural de cada animal. Se você pega, por exemplo, o homem e o coloca no mar, ele pode não sobreviver em todas as circunstâncias.
Mas pegue, por exemplo, um animal marinho, um dos maiores, a baleia, um tubarão, e traga-o para a terra; também não vai sobreviver...
Cada um tem o seu habitat natural e o seu modo de vida.
Personagem 3: É, de fato, aí você tem razão... [sorrisos...}
Despedi-me dos colegas, e disse: obrigado pelo debate, foi muito bom. Outros acrescentaram:
É muito bom a gente conversar, nesse nível, discutindo e trocando idéias.


POST SCRIPTUM: MEU MANIFESTO

Gostaria de ressaltar que, após tudo isso, aquilo em que acredito. Creio que Deus é o criador de todo o universo e também aquele que criou o homem, “à sua imagem e semelhança” (Gênesis 1:26), mas o homem tomou o seu caminho e errou, transgrediu e desviou-se de todo o bem que lhe estava destinado. Acredito que Deus criara o homem para que este pudesse ter total estado de graça e felicidade junto com Deus. Assim, de nada adiantaria ao homem, decaído, propiciar o seu próprio resgate, pois se encontrava num estado de penúria e lástima, e todos os homens “pecaram e carecem da graça de Deus” (Romanos 3.23) e da sua presença, pois criou-se, assim, uma situação de distanciamento e sofrimento próprio, e pode-se ver, ainda nesse contexto, a afirmação de que “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23), não a morte física, simplesmente, que já é um dos resultados da transgressão e do pecado do homem, mas a morte como separação de Deus para sempre.
Por isso, Deus já tinha preparado uma solução para resolver o problema. Enviou o seu próprio Filho, Jesus Cristo, que sendo Deus, porque era da mesma natureza do Pai, e estava com o Pai, veio à Terra, Ele era a Luz, o “Verbo” comunicativo de Deus, (S. João 1.1), e veio trazer do conhecimento de Deus, e mostrar ao homem “um novo e vivo caminho” (Hebreus 10.20).
Este mesmo Jesus Cristo, “subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus, algo em que se devia apegar, antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo [servindo], tornando-se em semelhança de homens; reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Filipenses 2.6-8). Isso Jesus mostrou enquanto esteve na Terra, glorificando a Deus, fazendo somente a vontade do Pai, deixando a oportunidade de viver como um Deus, mas vivendo, sim, como um simples homem, enfrentando os mesmos problemas e dificuldades e tentações, e procurando cumprir toda a Lei e todas as determinações de Deus para o homem. Por isso é dito: “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hebreus 4.15), e também:
“Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo” (Hebreus 2.17). Dele, de Jesus cristo, também é dito que “não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” (I Pedro 2.22).
Jesus Cristo, foi, então, a propiciação, o sacrifício vivo, de Deus, oferecido ao próprio Deus, para reparar o mal do homem. Jamais se pode dizer que Deus é injusto. Deus mesmo providenciou a reparação ao erro do homem, quando esse mesmo homem devia morrer e pagar pelos seus próprios pecados, por ter transgredido a Lei Moral de Deus, Lei essa que rege todas as coisas do Universo. Basta ver que, hoje, todas as coisas fugiram do seu curso natural: A Terra, o Universo, o Meio Ambiente, se acham em degeneração; o ecossistema todo padece, pois o homem na sua natureza perversa contamina tudo, seja intencionalmente ou não. Assim, a própria Ciência já percebeu que o dano é irreversível, conquanto tenta propor paliativos para remediar toda a crise. A Bíblia já diz isso de há muito tempo:
“Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou , na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. (Romanos. 8.19-22).
Jesus Cristo morreu, pagou, na cruz, o cruz, o pecado do homem. Ressuscitou ao terceiro dia, e, ressurreto, subiu aos céus e prepara-nos habitação, à todos aqueles que crêem nessa obra de redenção do homem.

Ora, Deus procura, já, no presente, estabelecer um Reino, com muitos filhos, semelhantes, em tudo a Jesus, com os princípios das bem-aventuranças, de pessoas que aceitem viver de acordo com essa vontade, em que Jesus Cristo seja o Primogênito dentre muitos irmãos,para Glória de Deus (Romanos 8.29), e que entenda que é necessário um novo nascimento, da água e do espírito (ou seja: adquire-se uma nova natureza espiritual e com propósitos – João 3.3 e 3.5).
Impossível?
Todos são chamados a buscar e a encontrar. É algo sobrenatural:
“Pedi e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-lhe-á” (Lucas 11.9-13).

Saulo A. Ferreira
Maio/2008

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